quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Gentoo: Inovação no universo Linux; BSD e Solaris: Parecem Linux mas não é

Você pode estar se perguntando em qual das famílias se encaixa o Gentoo, que é outra distribuição bastante comentada. A resposta é que ele não se encaixa em nenhuma.

 
O Gentoo inaugurou uma nova linhagem trazendo uma abordagem diferente das demais distribuições para a questão da instalação de programas e instalação do sistema. Tradicionalmente, novos programas são instalados através de pacotes pré-compilados, que são basicamente arquivos compactados, contendo os executáveis, bibliotecas e arquivos de configuração usados pelo programa. Estes pacotes são gerenciados pelo apt-get, urpmi, yun ou outro gerenciador de pacotes adotado pela distribuição em uso. Compilar programas a partir dos fontes passa a ser então um último recurso para instalar programas recentes, que ainda não possuem pacotes disponíveis.


O Gentoo utiliza o Portage, um gerenciador de pacotes que segue a idéia dos ports do FreeBSD, que é outro sistema Unix, similar ao Linux em diversos aspectos. Os pacotes não contém binários, mas sim o código fonte do programa, junto com um arquivo com parâmetros que são usados na compilação. Você pode ativar as otimizações que quiser, mas o processo de compilação e instalação é automático. Você pode instalar todo o KDE, por exemplo, com um "emerge kde". O Portage baixa os pacotes com os fontes (de forma similar ao apt-get), compila e instala.Nas versões atuais do Gentoo, você pode escolher entre diferentes modos de instalação. No stage 1 tudo é compilado a partir dos fontes, incluindo o kernel e as bibliotecas básicas. No stage 2 é instalado um sistema base pré-compilado e apenas os aplicativos são compilados. No stage 3 o sistema inteiro é instalado a partir de pacotes pré-compilados, de forma similar a outras distribuições. A única exceção fica por conta do kernel, que sempre precisa ser compilado localmente, mesmo ao usar o stage 2 ou 3. Entre eles, o stage 1 é naturalmente a instalação mais demorada, mas é onde você pode ativar otimizações para todos os componentes do sistema.

Já existe um conjunto crescente de distribuições baseadas no Gentoo, como vários live-CDs, com games e versões modificadas do sistema, alguns desenvolvidos pela equipe oficial, outros por colaboradores. Uma das primeiras distribuições a utilizar o Gentoo como base foi o Vidalinux.

Embora seja uma das distribuições mais difíceis, cuja instalação envolve mais trabalho manual, o Gentoo consegue ser popular entre os usuários avançados, o que acabou por criar uma grande comunidade de colaboradores em torno do projeto. Isto faz com que o Portage ofereça um conjunto muito grande de pacotes, quase tantos quanto no apt-get do Debian, incluindo drivers para placas nVidia e ATI, entre outros drivers proprietários, e exista uma grande quantidade de documentação disponível, com destaque para o Gentoo-Wiki, que inclui inúmeras dicas e receitas que podem ser úteis também em outras distribuições, sobretudo ao tentar configurar algum periférico problemático: http://www.gentoo-wiki.com.

Concluindo, além do Linux, existem outros sistemas Unix open-source, com destaque para o FreeBSD, OpenBSD, NetBSD e o OpenSolaris. Embora o kernel e alguns dos utilitários básicos do sistema sejam diferentes, os softwares usados (tais como o KDE, Gnome, Open Office e assim por diante) são basicamente os mesmos, o que torna os sistemas muito similares.

Se fosse feito um teste cego com uma instalação do FreeBSD ou do Solaris, configurados com o Gnome e outros softwares, a maioria dos usuários pensaria se tratar de apenas mais uma distribuição Linux. Um bom exemplo é o PC-BSD (http://www.pcbsd.org), uma distribuição do FreeBSD baseada no KDE.

Por bizarro que possa parecer, é possível rodar o KDE e outros aplicativos até mesmo sobre o Windows, substituindo a interface e os aplicativos padrão. É o tipo de exercício que não tem muita utilidade prática, já que se a idéia é usar o KDE, é muito mais fácil simplesmente baixar uma distribuição Linux que já venha com ele pré-instalado, como o Mandriva One, mas isso mostra até que ponto vai a criatividade dos desenvolvedores. :)
 
Donwloads 

Gentoo 2008.0
FreeBSD (Página do desenvolvedor)
OpenSolaris 2009.06


Fonte: Guia do Hardware




As três grandes famílias do Linux

Antes de falar dos outros três sistemas que faltam: Gentoo, BSD e Solaris, vou falr um pouco sobre as famílias do Linux, assim ficará mais fácil o entedimento do próximo post, sobre os três sistemas.

Em resumo, podemos classificar as distribuições Linux em três grandes famílias: As derivadas do Red Hat, como o Fedora e o Mandriva, as derivadas do Debian, como o Ubuntu e o Kubuntu e as derivadas do Slackware, como o Slax.

Apesar das diferenças estéticas, distribuições da mesma família são muito similares na organização dos arquivos, gerenciamento de pacotes, localização dos arquivos de configuração e assim por diante, de forma que é mais fácil para alguém acostumado com o Debian migrar para o Ubuntu, que faz parte da mesma família, do que migrar para o Fedora, por exemplo, que tem raízes completamente diferentes.

Você pode ver uma tabela mais completa com as origens de cada distribuição neste link do Distrowatch: http://distrowatch.com/dwres.php?resource=independence

No total, existem mais de 500 distribuições Linux sendo desenvolvida ativamente. Se incluirmos também as distribuições descontinuadas, o número sobe para mais de 2.000. Basicamente, qualquer pessoa ou empresa com tempo e conhecimentos suficientes pode desenvolver uma distribuição, tomando como base outra distribuição já existente como ponto de partida. O enorme volume de distribuições é ao mesmo tempo o principal defeito e o principal atrativo do Linux.

Defeito no sentido de que a falta de um sistema "padrão" (como no caso do Windows) gera confusão e retarda a adoção do sistema em muitos nichos e atrativo no sentido de que é justamente o grande número de distribuições e o processo de seleção natural que ocorre naturalmente entre elas que faz com que o sistema evolua tão rapidamente e seja capaz de se adaptar a ambientes tão diferentes.

Fonte: Guia do Hardware